Paula Becker Dermatologista

Doença de Pele

Nevos Displásicos

Nevos Displásicos

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O QUE É?
Nevos são pequenas manchas marrons regulares na pele, salientes ou não. São popularmente conhecidos por pintas e verrugas. A maioria das pintas surge em decorrência da exposição solar, e possui um formato regular.

Já os nevos displásicos (ou nevos atípicos) são nevos não usuais, que podem parecer um melanoma. São lesões disformes, em vários tons, e que crescem com rapidez. Pessoas que possuem esse tipo de nevo são mais propensas a desenvolver o melanoma, tipo mais agressivo de câncer da pele. Pesquisas afirmam que pessoas com dez ou mais nevos displásicos possuem 12 vezes mais chance de desenvolver o melanoma.

Os nevos displásicos são geralmente hereditários, e pessoas com histórico familiar de melanoma são mais propensas a desenvolvê-los. Esses dados são importantes para alertar para a importância do autoexame mensal, e a necessidade de visitas regulares ao dermatologista e proteção solar diária.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO
Pessoas que possuem muitos nevos devem ficar atentas, por exemplo, aquelas que possuem mais de 100 nevos, um ou mais nevos maiores ou ainda um ou mais nevos atípicos. Fique atento às características dos nevos normais e dos nevos atípicos, e use sempre a regrinha do ABCDE vale para o diagnóstico dos nevos displásicos.

Nevos Normais

Um adulto jovem possui entre 10 e 20 pintas, elevadas ou não. O formato deve ser simétrico. A Borda regular e bem delimitada. A Cor uniforme, e geralmente castanha, marrom ou cor de pele. O diâmetro menor do que 6mm. Esses nevos concentram-se em áreas expostas ao sol, como face, tronco, braços e pernas. Aparecem até os 35 ou 40 anos e são semelhantes, normalmente não há Evolução, nem em tamanho, nem em quantidade.

Nevos Displásicos

São largos, e semelhantes ao melanoma. Suas principais características são: Assimetria no formato, ou seja, quando você divide a pinta em dois lados, eles são diferentes. Borda irregular ou mal delimitada, esse tipo de nevo não possui formato definido, como oval ou redondo. Cor variável, geralmente há áreas mais escuras e outras mais claras na mesma pinta. Podendo ser castanha, marrom, marrom escuro, vermelha, azul ou preta. Diâmetro maior do que 6mm. Evolução anormal, algumas crescem repentinamente e podem surgir após os 40 anos. A parte central é geralmente elevada, e a parte periférica plana.

O melanoma não apresenta sintomas muito alarmantes, por isso, qualquer mudança em pintas suspeitas é sinal para procurar o dermatologista. Fique atento a sangramentos nas pintas, formação de “casquinhas” ou pequenas ulceras, inchaço, mudança de cor para preto ou azulado. Pode ser difícil distinguir nevos displásicos de melanomas em estágios iniciais. Por esse motivo, geralmente é realizada uma biópsia de um nevo displásico, pois é a melhor maneira de diferenciá-lo do melanoma. Melanomas podem se desenvolver no interior dos nevos, por isso o dermatologista pode remover parte do nevo para ser examinado. O dermatoscópio também é uma forma examinar as características do nevo, pois amplia a imagem e permite a visualização de estruturas interrnas e de cores invisíveis a olho nu.

PREVENÇÃO
Pessoas com risco elevado para melanoma devem permanecer alertas. Os fatores de risco são:

· olhos, cabelos ou pele clara;
· sardas;
· muitos nevos;
· histórico pessoal ou familiar de melanoma ou de cânceres não melanoma;
· sensibilidade ao sol;
· incapacidade de se bronzear;
· queimaduras solares frequentes ou intermitentes;
· um grande nevo presente desde o nascimento ou um nevo displásico.

Conheça a sua pele, faça autoexame todos os meses. Vá a um lugar bem claro, e com a ajuda de um espelho de corpo e outro de mão, examine todas as áreas do corpo, inclusive couro cabeludo, planta dos pés e entre os dedos dos pés e das mãos.

O exame com um dermatologista deve ser feito ao menos uma vez ao ano. É importante informar sempre que suspeitar de mudanças ou sintomas.

É sempre bom prevenir, mesmo que as neoplasias sejam curáveis se detectadas e tratadas precocemente. Adquira hábitos saudáveis e siga as recomendações sobre fotoproteção da SBD:

Use chapéus, camisetas e protetores solares.
Evite a exposição solar e permanecer na sombra entre 10h e 16h (horário de verão).
Na praia ou na piscina, use barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material.
Use filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou diversão. Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo. Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia-a-dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço.
Observe regularmente a própria pele, à procura de lesões suspeitas.
Consulte o dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.

 

Fonte: SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia